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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Moenda de Branco, Suor de Preto



minha vida presente me recorda dores que nunca senti,
dores que tenho marcada em minhas costas,
lembranças de uma mãe que nunca viu seus filhos,
 que nunca conhecerá a dor de vê-los partir,
preto onde está o teu lamento também urde a tua voz em nossos sonhos de liberdade vigiada,
sem moendas e sem senhores.
Quantos pretos sentados,
 quantos calos feitos,
 quantas mãos abertas,
quantos sonhos desfeitos
a lembrança da dor ao moer a cana
e o ardor da pinga na gente.


Calejados meus braços não aguentaram a dor,
nesse fosso caí,
mãe preta!!!!!!!!!!!
eu renasci,
eu voltei pro mato,
nesse tempo exato eu estou aqui

moe a cana meus sonhos de liberdade,
 se vão os sonhos com a pinga que arte ardente em meu coração

Afiadas fossas moem a àgua e dão vida a moenda,
os braços dos pretos ainda cantam,
a voz que cala pra não deixar o Senhor ouvir o lamento da labuta,
o peito que encanta e a dança de quem canta pra seus males esquecer.

Moenda de cana,
moe as minhas calejadas mãos,
 suores e dores o cheiro da indecisão,
cheiro de carne e de feijão,
que vem de ´lá,
da janela da preta que cozinha,
da ama que alimenta a sinhazinha,
na casa onde nunca vivi,
onde não podia entrar,
negro não entra aqui.

Casa grande não pode esquecer,
da janela o olhar o olhar do senhor sobre o preto,
que suado lhe dava o sustento,
se eu pudesse meu pai Oxalá,
pedia a todos os orixás,
que me levassem de volta pra mãe Africa,
mãe preta me abraça,
levanta teu filho,
aninha esse preto que não sabe mais chorar.

Ana Elizabete Barbosa

Recife Noturno de Acacias, Pontes e Águas


Vista do alto do Marco Zero,
o brilho dos peixes a trilhar,
contra a maré,
esvoaçando os cabelos de Iemanjá,
Três pássaros brincavam naquela imensidão,
brilhantes não pareciam ser de lá,
bagunçaram ainda mais os meus pensamentos,
 desaquietavam o Recife dos namorados,
bagunçavam as estrelas que eles se perdiam,
O Recife estava diferente,
na ponta do lápis desfez o seu desenho,
o encantamento se confundia,
com a música da Iara,
Oxum do outro lado só olhava,
as lágrimas dos olhos de sua filha,
que com o Capibaribe se confundia.
Ela que alí estava a iluminar
com sorrisos e Acacias,
o olhar de quem lhe queria,
mas o pássaro já não estava,
o Capibaribe se confundia,
O Capiba das meninas,
das águas que começavam a chegar,
barrentas, coloridas, verdejantes
atravessando as pontes com seus viajantes.


Na cia das estrelas,
com a ausência da lua,
que teimou se esconder,
veio o Capibaribe,
desfilar as acacias que mesmo vermelhas me fizeram saber,
quem dera fossem amarelas pra Oxum eu presentear,
quem dera fossem brancas para dar Iemanjá,
duas brincantes meninas,
na beira da ponte bonito de ver,
do lado do rio Oxum,
do lado do mar a destemida Iara,
conversavam em um encontro mágico,
vendo o catamarã passar,
alí bem no centro do Recife,
onde o Capibaribe encontra o mar.
 Ana Elizabete Barbosa

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Lua de São Jorge



Lua tu que cheia,
Lua de São Jorge que pela noite vagueia
Lua tu que andas pela rua
Sabe onde andam todos que te fitam tão bonita

Diz me oh lua
Onde anda meu amor,
Que faz de ti a sua guarita,

Ai tu lua que guarda meu amorzinho em teu olhar
Que como tu gosta da noite e vive a vagar

Ele que te brinda com o açoite de sua voz
Que vem até tu quando chegas
Daquela varanda te faz versos,
Com o violão te canta e te diz o inverso
Lua que te chama que me diz o que fazer

Quando despede te faceira,
Tu que encantas meu amor
Diz lua a mim onde ele está
Mas diz baixinho lua pra ele não escutar

Lua testemunha desse amor,
Lua que guarda solitária a minha dor,
Lua que guarda o olhar do meu bem
Na espada de São Jorge Guerreiro
Vela por mim e pelo que amo,
Guarda meu segredo
Lua de Sâo Jorge que cheia guarda todos os meus medos
Guarda essa saudade
Que só de maldade
Veio ao meu peito se guardar
Perto do teu céu
Refletida no mar

Ana Elizabete Barbosa

TEU NOME / AO MESMO NOME


O TEU NOME

O teu nome cor magenta
Arde mais para quem não experimenta
Queima os timpanos de quem não ouviu

O teu nome água barrenta
Faz morrer de sede quem não não aguenta
Molha os olhos de quem não te sentiu

O teu nome Pimenta vermelha
Ao fogo te assemelha
Faz doer quem não feriu

Poderia ser Silva,
Também ser Souza
Ser Pereira viva,
Ou Ferreira de outra

Se Pontes de Carvalho
Ou Costa de marfim
Teu nome amor,´
É vermelho Carmim


A ESSE MESMO NOME

A esse mesmo nome
Faço praças
Rindo Graças
Tomo pra mim

A esse mesmo nome
Ergo Pontes
Faço Fontes
Toco Flautim,

A esse mesmo nome
Boto banca
Caio tonta
Por teu nome meu amor
Por teu nome cor de flor

Por teu nome planto galhos
Faço versos, quadras e rosas,
Cartas nos perfumes que te dou,

Teu nome poema que eu amo
verso que recito sem dor
ardente aquarela em corpo tatuado
música que danço no ritmo de sonho
sonho que tenho, 
sonho que julgo
teu lindo nome que bem poderia ser Hugo

Ser Pimenta que assim escolhi um dia
Quem dera ser amada pela tua poesia
pelo jardim do teu calor
pelo fogo que vejo nos teus olhos
nas ramas do teu amor 

Nas folhas que te falo brancas,
Nas amarelas pétalas da sua cor
Teu nome é mais alguma rosa
Que simplismente poderia ser Barbosa
para que não me julguem se te beijar
irmão, amigo, amante que será...
que tanto o meu corpo tanto atenta
teu nome  minha pimenta


Ana Elizabete Barbosa

MEU EU TÃO SEU



Farei de pedras castelos  na areia
De cascalhos ruas no mar
Com folhas vou fazer tuas vestes,
De vento nosso lençol fiar

Vestir de natureza
Impor tal seja beleza
Que por ser assim refeita

Cobrirá de sol teu corpo
De chuva tuas falas
Tecer de dia teus cabelos
De noite teus castanhos olhos

Fazer de mel teu abraço
Por ser tão doce que te acho
Do teu lado me embaraço

Ana Elizabete Filha

Lágrimas em Recife



Chovia em Recife
Na tarde que partisse
Junto com as nuvens
O vento  me invadia
Naquela tarde em Recife
Apenas meu peito chovia

Lembrava teu pedido
Sem me querer perder
Lembrava me também
Teu olhar nebuloso, escuro,
Não queria pois me ver.

Chorava meu coração,
A vista escurecia
Tremiam as minhas mãos
Quando te dei  o último beijo
Lembrava de ti, da emoção
Das lágrimas que derramei,
E assim como chorava o céu de Recife
Eu também chorei.

Ana Elizabete Barbosa